O Transtorno do Espectro do Autismo é uma síndrome neurológica marcada por algum grau de comprometimento no desenvolvimento social e por desordens comportamentais. Essas questões começam a aparecer ainda na primeira infância (antes dos cinco anos) e tendem a permanecer durante a adolescência e a idade adulta. Com a amplitude do espectro e a evolução nas pesquisas relacionadas ao assunto, muitos adultos vem recebendo o diagnóstico atualmente e, com isso, ganhando a possibilidade de entender melhor sobre suas características.
As causas ainda não são totalmente estabelecidas, mas os estudos mais recentes apontam que sejam principalmente genéticas, embora haja a possibilidade de que fatores externos estejam associados (o assunto ainda é controverso e não possui resultados conclusivos) — a vacinação não é um deles, embora haja fake news a respeito do assunto.
A condição leva o nome de espectro por ser muito ampla e poder se apresentar de diversas maneiras, gerando níveis diferentes de comprometimento. Enquanto alguns pacientes diagnosticados podem ser classificados como não-verbais, outros podem apresentar o chamado autismo de alto desempenho e serem considerados “gênios”.
O essencial é que o diagnóstico seja realizado o mais cedo possível para que a criança possa ser acompanhada de perto e receba todos os estímulos necessários para desenvolver suas potencialidades ao máximo.
Uma criança com TEA, em geral, demora mais do que as crianças neurotípicas para desenvolver a fala, além de apresentarem uma maior dificuldade para entender expressões e gestos. Ao longo da vida, essa dificuldade se traduz de outras maneiras, como a confusão na hora de entender ironias e figuras de linguagem, por exemplo.
Em geral, pessoas com autismo são mais “literais” e precisam que a comunicação seja o mais clara possível.
As dificuldades de socialização vivenciadas por pacientes com TEA andam praticamente juntas com os problemas de comunicação. Não é natural para uma pessoa com autismo entender normas de convivência social e seguir padrões de comportamento e comunicação, o que faz com que a interação social acabe um tanto prejudicada.
Em geral, essas crianças possuem, também, transtornos de desenvolvimento sensorial, o que faz com que elas recebam os estímulos de maneira diferente, seja mais ou menos fortes que as pessoas neurotípicas — o que faz com que elas busquem, constantemente, pela regulação, e demonstrem essa busca por meio de comportamentos tido como atípicos.
É muito comum que crianças no espectro do autismo apresentem questões comportamentais como estereotipias e hiperfoco e, por conta disso, tenham mais dificuldade que as outras para se adequar em situações sociais e “cumprir o que se espera” delas.
Em geral, o autismo é diagnosticado em bebês de 1 ano e meio a 3 anos de idade, já que essa fase é bastante definidora no que tange ao desenvolvimento social: espera-se que a criança apresente grandes ganhos relacionados à comunicação e interação social durante esse período.
Os primeiros sinais, no entanto, podem aparecer ainda na fase não-verbal do bebê — e é importante que os pais e o pediatra fiquem atentos a eles, para que, se for o caso, o diagnóstico seja o mais precoce possível.
Choros e irritações constantes, resistência ao toque e ao contato visual direto, aversão a determinadas texturas (que podem se revelar, inclusive, oralmente, durante a introdução alimentar) podem ser sinais de alertas que devem ser analisados, é claro, de acordo com todo o contexto e a análise do desenvolvimento global do bebê.
Não existe nenhum exame, seja genético, de sangue ou de imagem que confirme o TEA, o que faz com que o diagnóstico seja puramente clínico, baseado na observação, na análise terapêutica e nos relatos apresentados pelos pais.
Por conta disso, é essencial que os pais e a equipe médica da criança (neste caso, o pediatra, um psicólogo e um neurologista) estejam extremamente alinhados e busquem juntos pelo diagnóstico. Se os sinais existem, é preciso analisá-los e, preferencialmente, procurar por mais de uma opinião.
O TEA é uma condição que não tem cura, e o prognóstico do desenvolvimento da criança depende muito do grau de autismo e, é claro, do acompanhamento e dos estímulos adequados. É importante ter em mente, também, que nada é imutável: à medida que a criança responde aos tratamentos e se desenvolve, pode ser que seja necessário encontrar novas estratégias e medidas para que a estimulação continue surtindo frutos positivos.
Até pouco tempo atrás, era muito comum que o TEA fosse conhecido, também, como síndrome de Asperger. Essa, no entanto, não é uma nomenclatura correta e especialistas da área têm buscado evitá-la.
Isso se dá pelas evidências de que o médico Hans Asperger, cujo nome foi relacionado ao transtorno por ter sido o primeiro a descrevê-lo, tivesse ligações com o nazismo e tenha, inclusive, cometido atrocidades com crianças com deficiência.
O Manual Diagnóstico e Estatísticos de Transtornos Mentais (DSM-5) já descartou a nomenclatura, por essa e algumas outras razões, e pensar no mês de conscientização sobre o autismo é ajudar, também, na popularização da maneira correta de falar sobre a condição.
Agora que você já entendeu mais sobre o assunto, temos certeza que será mais uma voz na luta contra a estigmatização do TEA: a informação é a principal ferramenta para lutar contra o preconceito.
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